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O novo consignado privado não é apenas um novo produto de crédito. É uma nova infraestrutura de distribuição de crédito no Brasil

O novo consignado privado não é apenas um novo produto de crédito. É uma nova infraestrutura de distribuição de crédito no Brasil. Quem entender essa mudança primeiro construirá vantagem competitiva na próxima década.

O novo consignado privado ou Crédito do Trabalhador deixou de ser uma aposta regulatória para se tornar uma das maiores alavancas de expansão do crédito no Brasil.

A principal transformação não está apenas na digitalização da jornada, mas na mudança do próprio modelo de negócios. O produto deixou de depender de uma estrutura B2B2C (Banco → Empresa → Trabalhador), limitada por convênios corporativos, para operar, na prática, em um modelo B2C, no qual a relação entre instituição financeira e cliente passa a ser viabilizada pela infraestrutura pública do eSocial e da Carteira de Trabalho Digital.

Essa desintermediação amplia de forma significativa o mercado endereçável, abrindo acesso a um universo superior a 47 milhões de trabalhadores formais e criando uma nova dinâmica competitiva entre bancos, fintechs e gestores de crédito.

A maturidade operacional do ecossistema, a qualidade do processo de desconto e repasse em folha, além da precificação imposta pelo tabelamento das taxas em determinadas operações, continuam influenciando o apetite de risco das instituições e a evolução da inadimplência. No entanto, esses são desafios típicos de um mercado em consolidação, e não limitadores do seu potencial de longo prazo.

Na minha visão, a maior oportunidade ainda está por vir. O consignado privado tende a se consolidar como o principal instrumento de substituição de dívidas de alto custo, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, reduzindo o custo financeiro para milhões de brasileiros. Em um estágio mais avançado de maturidade, não seria surpresa vê-lo evoluir para um modelo de BNPL (Buy Now, Pay Later) consignado, financiando diretamente o consumo de bens e serviços com taxas estruturalmente mais competitivas e uma experiência totalmente integrada ao ecossistema financeiro digital.

Leonardo Grapeia é executivo do setor financeiro com mais de 20 anos, com atuação em estratégia, crédito, transformação digital e inteligência artificial. É doutorando em Administração de Empresas pela FGV EAESP, mestre pela FGV EAESP, possui MBA pelo Insper e formação executiva em Transformação Digital pelo MIT.

A febre do consignado privado: R$ 100 bilhões depois, a disputa entre bancos e fintechs está só começando